O país virou moda no exterior, mas ainda falta convencer os gigantescos fundos de pensão 
e de universidades a aplicar aqui – eis a missão de um grupo de gestores brasileiros
O entorno da Universidade Stanford, na Califórnia, é ainda hoje uma das regiões mais ricas dos Estados Unidos, apesar da grave crise que assola o estado. As ruas perto do campus são conhecidas por seus “quarteirões do bilhão”. Em pouco mais de 1 quilômetro, estão localizados os escritórios de dezenas de family offices, empresas especializadas em administrar fortunas, que cuidam do patrimônio de gente como Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, e Jeffrey Skoll, expresidente do site de leilões eBay. Os re cursos doados por esse pessoal à Stanford levaram a universidade a ter um fundo de 15 bilhões de dólares, um dos maiores do mundo. Qualquer gestor de fundos quer ter acesso a esses recursos, mas até pouco tempo atrás esse era um mercado fechado para os brasileiros. De forma geral, os family offices e os fundos de universidades, assim como os gigantescos fundos de pensão e as fundações beneficentes, são conservadores e aplicam boa parte de seu capital nos Estados Unidos e na Europa – só uma pequena fração é destinada a investimentos diretos em países emergentes. Recentemente, porém, embalado pelo destaque do Brasil no exterior, um número crescente de gestores nacionais passou a fazer visitas constantes a essas instituições para convencê-las de que vale a pena colocar dinheiro aqui. Os pioneiros foram a Dynamo, a Gávea e a Tarpon, gestoras que hoje têm mais de 20 desses fundos entre seus investidores. Nos últimos dois anos, juntaram-se ao time administradoras como Claritas, Constellation, Nest, Quest e, mais recentemente, o banco Itaú Unibanco. “Essa é a nova fase do investimento estrangeiro no Brasil. Temos, literalmente, uma avenida para explorar”, diz Felipe Prata, sócio da Nest.