Especial Fundos 2009
Hora de sair da lama
Fundos multimercados perdem dinheiro, recebem bandeirada vermelha dos investidores e tentam recuperação em 2009
A SANGRIA DOS FUNDOS multimercados em 2008 serviu para duas coisas: testar os ânimos dos investidores persistentes e afugentar os que não possuem sangue-frio para suportar a volatilidade. Para os que ficaram, a luz no fim do túnel parece estar cada vez mais visível. Aos que partiram, resta o recomeço. O saldo negativo de R$ 54 bilhões obtido pelos multimercados no ano passado não significa apenas fuga de capital. O tombo foi sinônimo de aprendizado para investidores e fundos. Gestores acostumados a trabalhar na alta tiveram que suportar o amargo sabor da derrota, enquanto alguns que surfaram na tormenta conseguiram manter ganhos estáveis.
Em 2009, o cenário é outro. Menos esperança e mais certeza, menos ousadia e mais diversificação estratégica. “Os investidores ficaram mais cientes do risco, e os gestores também”, explica Carlos Arnaldo Borges de Souza, superintendente da Planner Corretora. No acumulado do ano, os depósitos nos multimercados superam os saques em R$ 3,7 bilhões, mas já há sinais de trégua. Em março, mês em que o Ibovespa teve alta de 7,2%, a captação líquida foi de R$ 2 bilhões. “Apesar da turbulência, as perspectivas para os multimercados são boas. Principalmente para os que possuem renda variável”, afirma Ricardo Veloso, gestor da Zero Capital. Fato curioso é que o fundo sob a gestão de Veloso é justamente sem renda variável e figura em primeiro lugar no ranking cuja aplicação inicial é de até R$ 10 mil. “Sempre vai haver mercado para fundos sem alavancagem, mas há uma expectativa de que, dentro de 30 anos, os investimentos em renda variável sejam parte importante da poupança dos brasileiros. Daí o potencial maior de fundos mais alavancados”, diz o gestor.